domingo, 22 de novembro de 2009

ÁFRICA MINHA...


Que saudades eu tenho, África minha!
Da cor do mar, do Sol a arder na pele,
Da chuva repentina que adivinha
A sede que ao chão faz lanho a cinzel...

Ao sol, quando na rua vou sozinha,
Não esqueço o cajueiro e a sombra dele:
Dos cheiros e sabores eu guardo o mel
Da manga e da papaia madurinha...

E como não lembrar a teimosia
Do tempo, que na imensa serrania
Lavrou perfis do Negro em cada monte!?...

E mais outro igual não há sol-poente
Que se afoga a correr na serra adentro,
E traz perto da praia o horizonte!...


A fotografia aérea da serra das "Cabeças de Velho", em Nampula/Moçambique, fala por que a magnitude do cenário só poderia caber onde a humildade poética não tivesse tamanho.

In Poesia que a mágoa tece - 2007

5 comentários:

Paula Raposo disse...

Não te ouvi dizer este poema na sessão de 5ª feira, porque não estive presente.
Um dia ouvirei.
Muitos beijos.

Graça Pires disse...

África não se deixa esquecer nunca.
Um beijo e obrigada...

Maria Clarinda disse...

Africa mora, é parte do meu ser, senão a totalidade, este poema maravilhoso mostra-o.
Jhs

Anónimo disse...

Olá Francília

Infelizmente nunca fui a África mas sei que é linda,e apresentada pelos seus sonetos ainda tem mais encanto.
Um grande beijo.
Liliana Josué

Júlio disse...

Há uma parte de mim que ficou em Moçambique. A Cabeça de Velho é um pouco dessa parte! Vi-a todas as manhãs quando olhava do meu quarto no Hotel Morgado em Nampula.
Mas, do que mais gostei, foi a o sentir que o poema irradia...
Beijo
Júlio Campos