terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Que o Sol não tarde mais tarde que a hora....

A noite adormece. Entrega-se ao tempo.
O dia há-de vir quando a noite acordar.
Que sombras-fantasma, receios calados,
Que choros silentes eu grito ao luar...

Em cinzas de lume a lareira se apaga.
Mas guardei-lhe o cheiro da lenha que ardia.
O sono que venha, se apresse e descanse
A minh'alma exangue, carente, vazia...

No céu acontecem vislumbres de prata.
Por detrás do morro adivinha-se a aurora.
Que os raios argênteos me beijem a boca
E que o Sol não tarde mais tarde que a hora...

O fogo escondido liberto apressada.
Sem medo me solto, vestida de nada!


Caxias, 01/09/09
Maria Francília Pinheiro

7 comentários:

Paula Raposo disse...

'Que o sol não tarde mais tarde do que a hora'. Mas tarda...
Muitos beijos.

mundo azul disse...

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"Em cinzas de lume a lareira se apaga.
Mas guardei-lhe o cheiro da lenha que ardia."

Muito lindo! Li os seus poemas e realmente gostei...

Beijos de luz e um FELIZ ANO NOVO, Francília!


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Je Vois la Vie en Vert disse...

Continua a te soltar desta maneira porque resultou num belo poema !

FELIZ ANO NOVO !

beijinhos

Verdinha

Vieira Calado disse...

A Paula Raposo tinha razão.
Mando-me cá vir...

Bom Ano para si.
Bjs

Anónimo disse...

Olá amiga Francília

Cá estou eu a ler os seus belos poemas.
Este soneto está delicioso, bem à sua maneira: figuras de estilo, mensagem e tudo o mais.
Um beijo grande

Liliana Josué

OrCa disse...

Como diria o nosso amigo Zink, muito «cantabile» este soneto! Clap-clap-clap...

... e votos de um 2010 com mais poesia.

Beijos

Paula Raposo disse...

Faço minhas as palavras do OrCa!
Um bom ano para ti, que nos juntemos e que a poesia não fuja...beijinhos.