Quem me quiser tem de vir procurar-me, Quer faça chuva ou sol de calor pouco... Quem me quiser, forçoso, tem de achar-me, E há quanto tempo o espero como um louco...
Quem me quiser tem de sentir no ar O cheiro a verde das serras do Norte... Quem me quiser comigo há-de apanhar Sargaços que vêm de mar longe à sorte...
Quem me quiser tem de ter cãs de outono Que aos anos dão a cor nobre do mel... Quem me quiser, à insónia dê o sono A ver nascer meus versos no papel...
Quem me quiser, primeiro ausculte o vento, Que o medo da traição do amor me afasta... Quem me quiser não desperdice o tempo, No inverno, os corações a neve castra!...
Com voz de amor ralhou-me, amargurada, Minh'alma a q'rer saber porque tardou Andar na estrada inda antes não andada, Aonde alguém esperar por mim jurou...
Ternura guardo tanta amarrotada; Com medo da traição amor não dou; Da má sorte dos sós serei falada, Recuso amores...Eu por aí não vou!
Com força forte agarro a tempestade Mais crua, a dos revezes da idade, Pois sou pinheiro erecto em nome e em porte.
Se no meu peito ainda há golpe aberto, E a dor de tanta dor me fez um espectro, Achei na solidão meu próprio norte!