Quem ama não quer morrer,
Mas longa vida p'ra amar
O amor que lhe couber...
Quer da noite fazer dia,
Dias de luz verde e sol;
E se o vento mal bulia,
Corra a gritar espaço fora
Que amar é luz de farol,
Rompa a noite ou nasça a aurora!
Amar é rir e folgar,
Ser eternos namorados;
Dia-a-dia partilhar
Mágoas, agruras, pecados...
É cantar uma cantiga
E pôr longe o sofrimento;
Alhear-se da fadiga
Num abraço ternurento...
É ser cúmplice! Recado
Num breve e brejeiro olhar,
Que faz saber ao amado
A hora de ir deitar...
É saciar mil desejos
Em prazer sublimado;
E na volúpia de beijos
Tempo de amor não contado...
É entrega! E as almas calam
Maré vazante de um rio,
Que logo em caudal se embalam
Num turbilhão, desvario...
É querer que o mundo saiba
(mas na mão fechada caiba)
Segredos do seu amar;
É ser o fogo na mata,
Se alma-gémea o fogo acata,
No breu da noite o luar...
É água fresca da fonte
Que rasga a fraga no monte
E mata a sede a cantar!
Caxias, 27/12/08
Maria Francília Pinheiro
Há 7 anos